Atmosphere 1 - please credit Ariel Martini

Gop Tun & Dekmantel: dois anos de conquistas e contando…

Você ainda se pega pensando como foram mágicos os momentos vividos no Playcenter nos dias 03 e 04 de março? Ainda se questiona o que fez o Dekmantel SP ser tão especial? Nós também, então resolvemos bater um papo com quem realmente contribuiu para fazer o festival acontecer.

O coletivo Gop Tun foi responsável por construir a edição brasileira de um dos mais conceituados festivais holandeses. Isso certamente não é uma tarefa fácil. Misturar duas culturas tão distintas e transformar em uma única entrega é algo que vimos sendo executado com excelência não só na primeira edição em 2017, mas com ainda mais força nesse ano.

Acompanhe como essa equipe desenvolveu um dos eventos mais aclamados de 2018 no Brasil (e podemos afirmar isso mesmo estando em abril!):

Quando começou a relação de vocês com o Dekmantel? O que vocês acreditam que uniu os dois núcleos para trabalharem juntos?
Foi realmente uma questão de reciprocidade de sentimentos, de intenções. Ambos os coletivos têm a música na mais alta estima e quando essa devoção comum se encontrou em fevereiro de 2016, com aquele primeiro showcase na Praça das Artes, surgiu um plano maior e embarcamos nessa grande aventura. A história já se tornou célebre, fato que obviamente nos deixa bem felizes, já que é algo essencial que todos saibam que tudo que construímos nessas duas edições de Dekmantel Festival São Paulo têm origem em algo muito profundo e nobre que se refere exclusivamente à música e a criar as melhores condições de apreciá-la.

Considerando todas as exigências e padrões que o Dekmantel tem, quais os princípios do festival que mais tiveram dificuldade de adaptar no Brasil?
A grande diferença, além das formas e normas holandesas, é a preocupação com detalhes, que é algo que eles elevaram a outro nível. Rola aquele choque cultural, e em alguns momentos foi difícil explicar certas particularidades brasileiras para um pessoal habituado a lidar com as estritas regulamentações de Amsterdam. Mas, no final, tudo se alinha e conseguimos encontrar o equilíbrio entre as expectativas e as exigências.

Como a primeira edição foi um sucesso, imaginamos que fazer uma segunda edição tão boa quanto ou ainda melhor era uma tarefa muito difícil. Quais foram as principais evoluções de produção da primeira para a segunda edição e os principais desafios encontrados nesse ano?
Sem dúvida foi difícil, mas foi exatamente isso que nos incentivou desde o começo: um misto de pânico, por termos elevado as expectativas àquele patamar com uma primeira edição tão aclamada, junto à vontade de superá-la. O maior desafio, com certeza foi a mudança de local, que no final virou um dos nossos principais trunfos. Mas foi justamente a evolução e entrosamento da nossa equipe de produção que permitiu uma entrega superior à primeira edição.

Primeira edição do Dekmantel SP – Jockey Club

Quais atividades pré, durante e pós-festival ficaram por responsabilidade de vocês em 2018?
Praticamente tudo. Depois da primeira edição que fizemos juntos, com laços fortalecidos, a confiança entre nós foi cimentada e tivemos mais autonomia pra executar tudo nós mesmos, usando os nossos recursos, e é claro, aproveitando a expertise de anos de festival que eles trazem pra mesa.

O que vocês acreditam ser o principal diferencial do festival?
Tem uma mistura que é muito nossa, que vai da música à experiência visual que oferecemos. Tudo é pensado para intensificar ou maximizar a diversão de quem vai. O ambiente de descoberta musical é algo fundamental, claro, mas a cenografia e toda a preocupação com o conforto e bem-estar do público são essenciais também.

Os Djs parecem ter tocado felizes, com vontade de fazerem parte do evento. Um exemplo foi a Nina Kraviz, Marcel Dettmann e Kobosil fazendo horas de b2b na afterparty. Quais os feedbacks que vocês receberam dos artistas com relação ao evento?
Essa espontaneidade é um elemento inestimável que resulta da química que existe entre artistas e público, não tem como planejar ou ensaiar, é tudo improvisado e, por isso mesmo, muito mais intenso e autêntico. A Nina saiu pilhada do palco principal e todo mundo queria mais um pouco daquilo que estava rolando ali, assim como o Four Tet e o Floating Points, mas tínhamos horários estritos no Playcenter e não queríamos desagradar ninguém, principalmente a vizinhança, então ficou aquela energia no ar que transferimos para o Sambódromo. O feedback dos artistas, assim como em geral, foi super positivo e o desejo de voltar na próxima edição, praticamente unânime. 

Four Tet – Foto: Gabriel Quintão

Como foi feita a curadoria do palco Gop Tun pra essa edição?
Em todas as edições a curadoria é compartilhada de forma imparcial. Naturalmente o pessoal da Holanda acaba por sugerir muitos nomes, mesmo porque eles têm a gravadora e estão mais próximos do epicentro da cena mundial, mas a contrapartida é que mostramos a crescente quantidade de talento local com o qual eles não têm contato tão constante, então há um equilíbrio e o resultado é essa escalação bem diversa que oferecemos.

Como o palco Gop Tun foi desenvolvido para fazer parte da estrutura e conceito do Dekmantel?
Uma das nossas constantes preocupações é criar uma simbiose entre os palcos/pistas e a venue do festival, usando soluções, materiais e mão de obra locais de forma que exalte as qualidades do local escolhido. O processo de criação pra cada palco do Dekmantel exige um tempo de amadurecimento, e o palco Gop Tun oferece uma troca de experiências musicais única dentro do conceito Dekmantel – ele tem o desafio de abraçar formatos musicais extremamente diferentes (desde um Dj internacional tocando sozinho e uma banda de vários integrantes com uma gama de instrumentos) e apresentá-los de forma intimista e ao mesmo tempo atual.

Como vocês enxergam o cenário de festivais no Brasil hoje e como o Dekmantel contribui para o crescimento dos eventos de música eletrônica com esse estilo musical experimental?
Isto foi algo que exploramos no desenvolvimento do mini-doc que fizemos: a centralidade do cenário atual para o surgimento de um festival como o que fazemos. O Dekmantel Festival São Paulo não teria como existir se não fosse essa base sólida e fértil que foi nutrida pelas festas independentes de São Paulo. Quanto ao cenário de festivais e eventos de maior porte, ele abre as portas para o tipo de curadoria mais nichada musicalmente, sendo o Dekmantel um dos mais bem-sucedidos exemplos. O que esperamos e nos esforçamos para que se realize é que nosso sucesso ajude a criar um contexto de sustentabilidade para iniciativas sérias e que, como nós e outras festas pioneiras, pensem no longo prazo.

Quais próximos passos de vocês com o Dekmantel no Brasil? Vocês pretendem trazer festas do núcleo para cá em algumas cidades como foi no ano passado?
Os projetos e planos já estão em andamento sim, mas gostamos de manter um pouquinho de suspense…Aguardem que vem muita coisa por aí (risos)

Leia Também:

Como foi o Dekmantel SP por diferentes olhares e experiências

 

[nome do seu blog]

Administradora paranaense, morou alguns anos em São Paulo e adora as várias opções de festas e eventos que a cidade oferece. É viciada em festivais, não tem medo de encarar um sozinha! Já passou por mais de 15 fora do Brasil, como Creamfields (UK), SXSW (Austin), Coachella (CA), Ultra (Miami e Croácia) e Mysteryland (NL). Divide suas paixões musicais entre techno e indie rock!

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